
Entre os dias 7 e 10 de junho, a Federação de Motociclismo de Portugal voltou a pôr mais uma edição, a 27ª, do Lés-a-Lés (LaL). Um evento impar, único na Península Ibérica e arrisco-me a dizer no Mundo. Quem já participou, numa qualquer edição, percebe que não é um mero evento, um mero passeio. Esta aventura mototuristica é impar. Este ano, no palanque, alguém disse que “o Lés-a-Lés é uma Familia”. Não podia estar mais de acordo.
O Lés-a-Lés nasceu, como tantas outras ideias estupendas, de um “brain storming” à mesa de café. Um grupo de amigos e um “… e se…”.
As primeiras cinco edições foram feitas em nomo non stop, ou seja, começavam e só terminava, no destino.
Depois, desde a 6ª edição, o Lés-a-Lés passou a contar com duas etapas. Dividia-se o esforço, permitia-se mais tempo para desfrutar.
Com o crescimento do evento, fruto da maior adesão de mototuristas, a organização entendeu (e bem) estender por mais um dia; e assim, atualmente, o Lés-a-Lés divide-se por três etapas à qual se junta o «Dia 0» das verificações e passeio de abertura.
Quem faz o Lés-a-Lés pela primeira vez não fica indiferente à envolvência, ao ambiente que se vive por estes dias em cada um dos variados pontos de paragem. Para além do numero elevado de mototuristas, a envolvência dos moto clubes e associações locais que se juntam à festa fazem deste um evento singular.
Quem faz o Lés-a-Lés regularmente fá-lo porque se apaixonou pelo conceito, pela forma como tudo decorre, pelo estilo do roadbook, pelo percurso, mas também pelo “ambiente” que se vive ao longo destes cinco dias.
É fácil ficar a gostar do Lés-a-Lés.
Alguns dos participantes só se encontram aqui e fazem-no, ano após ano. No nosso caso pessoal, já lá vão 6x participações (2006, 2016, 2018, 2022, 2023 e 2025). Todos os anos em que não participei, me arrependi (nota pessoal de autor).
Este ano não foi excepção e mesmo sem fazer por isso, todos os dias encontrava pessoas conhecidas, de entre as quais: amigos de outras lides como o todo-terreno (Joaquim Santos e Zé Lopes) cuja amizade dura há mais de uma dezena de anos; companheiros de curvas como grande parte do staff do Moto Clube do Porto, várias figuras públicas como é o caso dos atores Vitor Norte e Alexandre da Silva – cujas fotos vamos renovando ano, após ano – e ainda vários conhecidos que fui fazendo ao longo das anteriores edições e que, quando nos cruzamos parece que os conhecemos há anos.
Este é a essência do Lés-a-Lés. Todos os participantes são como família, se respeitam, partilham a estrada, e se auxiliam quando algo corre menos bem, como um mero furo.
Outro aspecto em que este evento se destaca e que, particularmente este ano, me chamou a atenção é a presença de muitos casais – a demonstrar que os motociclistas estão longe de ser “feios, porcos e maus” e sobretudo crianças jovens que alinharam com os pais nesta “aula viva” de geografia (e cidadania).

Na edição deste ano, foram várias as duplas de pais/filhos que tive oportunidade de descobrir revelador que este acontecimento é um evento singular.
Para este ano estavam reservadas três etapas e um percurso total de 1236 quilómetros, sempre por ruas e ruelas e até estradões de terra batida, ou não fosse esse o cartão de visita do LaL, atravessar Portugal, de uma ponta à outra, por entre as mais pitorescas e paisagísticas estradas nacionais, regionais e municipais, fugindo sempre às autoestradas.
Apesar da longevidade do evento, a edição deste ano, estou certo, passou por locais de muitos de nós, nunca antes haviam percorrido. Portugal pode ser pequeno em área geográfica mas enorme em riqueza patrimonial e histórica, e o Lés-a-Lés uma belíssima forma de o conhecer… por dentro.
Veja ainda: Yamaha Tracer GT9+





















Comentários