A segunda etapa do Lés‑a‑Lés de 2026 foi um teste à resistência física e mental dos participantes.
No cardápio os participantes tinham pela frente 413 quilómetros a realizar debaixo de temperaturas acima dos 35º C, num dia em que a canícula transformou cada reta, cada curva e cada paragem num desafio.
Mas foi também um dia de festa contínua: sete Oásis, cada um com personalidade própria, ajudaram a transformar uma etapa abrasadora numa jornada memorável.

A partida voltou a fazer-se cedo, novamente sem atrasos, desde a Avenida D. Manuel I, em Alcochete. Lisboa ia ficando para trás enquanto a caravana procurava as estradas despovoadas da lezíria ribatejana, onde as longas retas até Santo Estevão serviram de aquecimento para o que viria a seguir.
O primeiro grande momento do dia surgiu em Santo Estevão, onde o Almansor Motor Clube montou um dos controlos mais divertidos da história do evento. Para validar a passagem, os participantes tinham de enfrentar a “Cambota”, a vaca simbólica que obrigava a correr, rir e improvisar.
A comunidade local ofereceu uma mesa de doçaria que parecia não ter fim: bolos de laranja, noz, cerveja, coco, lima, tartes de feijão e amêndoa — tudo feito por mãos da terra. Entre bifanas, chouriço assado e café do pote, Santo Estevão transformou‑se num arraial.
As intermináveis retas levaram a caravana até Fazendas de Almeirim, onde a tradição ribatejana recebeu os motociclistas com tourinhas, folclore e gastronomia. A sopa da pedra e o pampilho, doce típico de Santarém, foram protagonistas de mais um Oásis vibrante, montado com o apoio da BMW Motorrad e dos grupos locais.

O pampilho — criado há cerca de 30 anos na Pastelaria Acides — é uma homenagem aos campinos e às lezírias, com o seu formato comprido e recheio de doce de ovos com amêndoa. Uma verdadeira lição de cultura ribatejana servida à beira da estrada.
Entre Benavente, Salvaterra de Magos e Raposa, as paisagens agrícolas deram lugar a histórias de superação mecânica. Que o digam Agustin Abalde que ficou sem combustível na sua Serveta Jet 200 ou o espanhol Pedro de La Fuente que viu a sua Lambretta LI 150 recusar-se a andar; ou ainda o Rodolfo Sampaio que teve de improvisar a reparação da transmissão da sua raríssima Honda 50 importada dos EUA.
Nada disto tirou o sorriso aos protagonistas — porque no Lés‑a‑Lés, cada contratempo é apenas mais uma história para contar.
O Oásis Yamaha/Bluemotor trouxe uma pausa com vista para o Castelo de Almourol, onde o road‑book ofereceu uma curiosidade histórica: as ameias que muitos julgavam medievais foram, afinal, colocadas durante o Estado Novo.

Depois, a caravana atravessou azinhais e carvalhais — árvores protegidas pela campanha Reflorestar Portugal de Lés‑a‑Lés — até Santiago da Guarda e Vila Nova de Poiares, antes de entrar na centenária Mata Nacional do Bussaco.
A Fundação Mata do Bussaco abriu excecionalmente as portas para a passagem das motos, permitindo aos participantes atravessar a Porta da Rainha, parar junto ao Palácio do Bussaco e sair pela Porta das Ameias. Um momento raro, quase mágico.
Já com São Pedro do Sul no horizonte, o parque de São João do Monte recebeu o Oásis da Cross‑Pro, com água fresca e pão de chouriço com cogumelos e azeitonas. De barriga cheia, os participantes enfrentaram o sobe‑e‑desce do Caramulo, passando pela Torre de Alcofra e pelas Termas de São Pedro do Sul, antes de chegar ao Vale de Lafões.
Foi o final perfeito para um dia abrasador: animação extraordinária, sete Oásis, gastronomia, cultura e uma travessia que ficará gravada na memória.





















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