Foram 2644 kms, 26h e 21 minutos de condução com um consumo médio de 28 kWh/100… Esta pequena odisseia, a bordo de um Mercedes EQE 43 AMG 4 Matic, levou-nos de Bremen (bem no norte da Alemanha), Frankfurt (paragem extra), Mannhein, Metz, Paris, Poitiers, Bordéus, São Sebastian, Burgos, Valladolid, Bragança e terminamos a viagem no Porto!
Antes de iniciar a viagem, o nervosismo era grande e o planeamento é essencial…saber, como e onde vamos carregar o nosso carro era uma prioridade. Quantas paragens necessitávamos? Quanto tempo em carregamentos? Eram perguntas que tínhamos. Assim, antes de voarmos até Bremen, instalamos e registamos em algumas app’s que possuem redes de carregamento na Europa, como a Ionity, Eletroreverse, Plug & Charge e também da Tesla, na esperança de poder carregar nessa mesma rede. Estas “respondem” onde posso carregar!
Instalamos também uma aplicação de navegação – a ABRP (A Better Router Planner). Esta foi fundamental para o planeamento da rota – pois, sendo elaborada idealmente para os veículos elétricos, uma vez que contabiliza alguns dados que introduzimos (marca, modelo e % de bateria no início da viagem e % de bateria no fim da viagem) e, através da autonomia e consumo médio, “estabelecida” na base de dados, indica onde íamos carregar. Podemos dizer que foi o nosso grande parceiro de viagem.
Tudo correu bem, à exceção de 2 vezes que, a meio da rota, recebemos o alerta, “rota não disponível” procurar alternativas…ai entramos em pânico, mas pelo que percebi poderá ter sido um “bug” de localização do GPS, pois mantemos o plano inicial.
Desde o início da nossa viagem até chegar a Portugal, nos dias em que realizamos a viagem, a temperatura variou entre os -5ºC e os 2.5ºC…que para um elétrico é sempre complicado…A autonomia desce pois existe gastos “extra” para aquecer bateria e do habitáculo.

Bom, arrancamos de Bremen com 100% de bateria e a primeira paragem foi em Kassel, local onde pernoitamos. Com a bateria totalmente carregada (o carro anunciava 400 kms), percorremos 287 quilómetros e chegamos ao hotel com cerca de 15% de bateria e cerca 58 quilómetros de autonomia, ou seja, em ritmo de autoestrada alemã (entre os 130 ~ 140 km/h) e, por vezes, uma ou outra aceleração, sempre com máximo de cuidado com o gelo/neve. Esta primeira “etapa” deu para perceber que tínhamos autonomia para 330 quilómetros dada a velocidade e temperatura exterior.
Chegados ao hotel, o posto estava livre e procedemos ao carregamento mais económico da nossa viagem, pois o hotel cobrou 12€ pelo carregamento…verdade que o carro recuperou a bateria e nós, as forças, pois restavam 2357 quilómetros pela frente.
Saímos do hotel bem cedo e fomos em direção a Frankfurt, com a bateria totalmente carregada. Sem qualquer problema, realizamos mais uma tirada de 190 quilómetros sem qualquer problema.
Interessante que a Alemanha possui na autoestrada catenárias para carregar camiões elétricos…um projeto que não parece ter tido sucesso, pois não verificamos nenhum a utilizar as mesmas.
Saímos de Frankfurt em direção ao Porto! Percorremos mais 110 quilómetros até Mannhein, local do primeiro carregamento público. Chegamos a um posto da ARAL Pulse, com 19% de bateria, e ativamos o posto com o cartão da Miio. Apesar de tantas apps, existem sempre postos de marcas que desconhecemos! Ao iniciar, a comunicação com o posto demorou algum tempo, muito provavelmente porque esse posto nunca tinha lido um cartão Miio…o importante é que o posto iniciou o carregamento, e em 29 min carregamos 59.2 kWh – ou seja os 80% da bateria.

Os veículos elétricos carregam a bateria como servimos um copo de cerveja, ou seja, quando o copo está vazio podemos verter a cerveja com bastante velocidade, contudo, quando chega ao máximo temos de ter cuidado para não transbordar…as baterias são iguais…de 10% a 80% é despejar eletrões (até à capacidade máxima do nosso carregador interno – no caso do nosso Mercedes é de 173 kWh em carregamento rápido – DC e no máximo de 22 kWh em carregamento lento – AC).
A verdade é que, ao longo da viagem, nunca fomos além dos 80% de bateria, uma vez que o carregamento passa a ser lento e o ganho de autonomia é pequeno.

Entretanto, verificamos que o próximo posto era cerca de 208 quilómetros, para lá de Metz já depois de deixar a Alemanha e estarmos em território francês. Aqui começa uma aventura, pois, na saída que deveríamos sair para o carregador, estava encerrada, pelo que restava percorrermos mais 80 quilómetros até a próxima saída com carregador rápido em Verdun. Chegamos ao próximo posto, apenas com 4% de bateria e autonomia para 16 quilómetros, e surpresa, o carregador não estava sequer ligado. Com uma autonomia tão curta e o Mercedes já no modo de poupança máxima, fomos até ao centro da cidade, pelo que já desespero, encontramos um supermercado Lidl, que tinha uns carregadores de 22 kWh… estávamos sem bateria, e era a única opção que tínhamos. Com muito custo, mais uma vez provavelmente, esse posto nunca tinha lido um cartão Miio, demorou imenso, e, digamos que o desespero pelo carregamento também colocou aqueles momentos, como muito longos…mas lá conseguimos ativar o posto. Uma hora e picos depois, carregamos 28 kWh. Aproveitamos para descomprimir, descansar, compramos algumas coisas no supermercado, visitamos a redondezas, fomos comer qualquer coisa e seguimos viagem até ao próximo ponto.
Verificamos que a app ABRP nos propõe em Remis, cerca de 90 quilómetros e tínhamos bateria para 114 quilómetros, pelo que a margem era curta. Arrancamos para não perder tempo, mas ajustamos a velocidade para ganhar autonomia. Chegamos ao posto da Total com 4% novamente, mas o posto estava tudo em ordem. Carregamos até aos 70%, pois era a autonomia de que necessitávamos para chegar ao próximo posto de carregamento. E assim foi por mais 7 carregamentos até chegar ao destino final.
Algumas peripécias, nos arredores de Paris tentamos com a app da Tesla carregar o Mercedes, mas em vão, pois não conseguimos ativar o ponto de carga – apesar dos franceses conseguirem. Em Espanha, de madrugada e com a temperatura -3ºC, o posto da Repsol estava congelado, não conseguindo nem tirar a tomada de carregamento, nem ler o cartão.
Apesar de utilizar a app ABRP como navegação, é que utilizava o sistema de navegação do próprio carro, colocando como destino o próximo posto ou então algo próximo. Esta duplicação apenas tinha como intuito preparar a bateria (essencialmente pela temperatura) para o carregamento.

Em resumo:
- Planeie a viagem – utilize a app ABRP e instale no seu telefone – antes de arrancar apenas para ter uma ideia de quantas vezes vai parar e planear uma pausa, por exemplo, um hotel para maior descanso.
- Tenha um cartão de carregamento – utilizamos em todos os carregadores o cartão da Miio, sem problema. Pensamos que qualquer cartão RDF, ativa os postos, contudo, a maioria também tinha mais uma forma de pagamento com cartão de crédito, o que facilita muito.
- Gerir a viagem à medida que vai avançando. A aplicação ABRP foi fundamental para nos podermos progredir sem grandes sobressaltos. Uma aprendizagem é que não interessa muito a autonomia do carro (claro que quanto maior a capacidade de bateria, maior distância podemos fazer entre postos), mas o que manda é sem dúvida a distância para o próximo posto.
- Aproveite o tempo de carregamento para planear a próxima paragem e aproveitar para relaxar um pouco. Em média as nossas paragens foram de 20 a 35 min…o que passa relativamente rápido.
- A mobilidade elétrica é uma realidade europeia, embora notamos que na Alemanha os postos fora das vias principais (mas próximos – 3 a 4 kms) são infraestruturas novas. Na França, nas autoestradas, todos os postos têm 4 ou 5 carregadores. Em Espanha a rede não é tão disseminada. Esta é a nossa opinião da road trip europeia.
Quanto gastamos?
Carregamentos rápidos Miio – 390€
Carregamento lento Hotel e Lidl – 31€
Portagens – 130€
A estas despesas soma-se tudo o que seja transfer de Portugal até chegar a Bremen, assim como a noite de hotel.
Foi uma viagem interessante, isenta de emissões e comprova-se que a mobilidade elétrica pode ser uma solução.





















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